quarta-feira, 20 de junho de 2012

Ilustração x Ilusão

A melhor forma de convencer alguém de qualquer coisa é dar provas concretas; ou pelo menos fazer tal pessoa acreditar que sua prova é concreta. Melhor! Faze-la nem sequer desejar saber a verdade sobre a tal prova.


Continuando a explanar minhas idéias sobre a experiência que tive como Testemunha de Jeová, hoje resolvi recordar as famosas ilustrações!
As ilustrações sempre estiveram presentes em todos os tipos de ensino ao redor do mundo, e não tenho nada contra elas; o problema está no uso dessas ilustrações para induzir o individuo à um erro ou à um raciocínio sem fundamento.
Lembro-me de uma das minhas primeiras conversas com meu instrutor. Conversávamos sobre a questão do pecado de Adão:

- Imagine que você tenha juntado todo o dinheiro da sua vida para comprar à sua Ferrari!

- Sim

- Imagine que um belo dia, você empreste seu carro para um amigo. Esse amigo, descuidado, bate com sua Ferrari. Ao vir devolver o carro, você percebe o estado do carro e reclama. Seu amigo diz: “Fique tranqüilo que vou dar-te outro carro.!” Algum tempo depois ele lhe traz um belo fusca! Você aceitaria
?

-
Não mesmo!

- Então! Assim é o sacrifício de Jesus! Adão era perfeito e jogou fora a vida eterna, o favor de Deus para com a humanidade. Somente o sacrifício de outro humano perfeito (Jesus) para equilibrar a balança! (Essa ilustração é muito conhecida das TJs


Nesse dia passei a entender(aceitar) essa questão do pecado adâmico mais facilmente! Hoje observo que as coisas não são “bem assim”


Hoje volto a questionar a questão do pecado hereditário. O erro do primeiro executa um julgamento injusto sobre todos os outros. Vão dizer “Ah, mas Jesus veio pela salvação de todos. Dos que já existiram aos que vão existir ainda”
Ok, mas e os que nunca ouviram falar de Jeová ou Jesus
? Dirão: “Eles ressucitarão para ter uma nova chance!!”
Mais uma vez pergunto se isso justifica uma vida de sofrimento, escravidão, fome, doenças, guerras etc!?

Claro que não; mas a ilustração serve para isso! Tira nosso foco de outras questões!





(Fixe o olhar no ponto central para ver a borda do círculo desaparecer; assim como as ilustrações das Testemunhas de Jeová nos fazem perder o foco do contexto real)




Outro fator crucial com relação às ilustrações é a indução à uma solução que só faz sentido no contexto daquela ilustração, fazendo com que o individuo tome decisões “no mundo real” baseado em considerações feitas “no mundo da fantasia”

Um exemplo incrível é a ilustração contida no livro Bíblia Ensina que trata da história de um professor que ao receber o desafio de um aluno, permite que tal aluno “conduza a aula” à seu próprio modo para que ao cometer seus próprios erros se prove errado.
Faz realmente muito sentido. Todos os que assistirem o fracasso do questionador terão certeza de que o professor era quem estava correto. Sim, essa seria uma grande demonstração de amor e sabedoria!
Um amigo levantou a seguinte questão: “E se o professor fosse um professor de química?! Permitiria que o aluno rebelde fizesse experimentos à vontade com produtos explosivos, corrosivos, venenosos e etc; colocando em risco a saúde e a integridade física dos outros alunos na sala de aula?!
Pois é exatamente isso o que as Testemunhas de Jeová tem pregado! Dizem que a culpa de todo sofrimento é pelo fato de Deus estar dando a oportunidade de Satanás fazer o que bem entender colocando em risco a vida de bilhões de pessoas, com a desculpa de que em um determinado ponto no futuro, ele poderá ressuscitar todo mundo, curar todo mundo, salvar todo mundo do mal que foi causado por seu “mau aluno”.

Então amigos, para que essa ilustração faça o mínimo de sentido, seria necessário que começasse da seguinte forma:

”Um professor com super poderes paranormais...”

Não é?!

É o tipo de situação que só tem coerência dentro do universo criado pelas próprias TJs, e a qual elas são obrigadas aplicar na vida real!!!









Para finalizar essa bizarrice, andei reconsiderando...

”Abster-se de sangue”. Essa questão SEMPRE vem seguida da seguinte ilustração.

”Se um médico mandasse você se abster de álcool, seria correto injeta-lo na veia?! Da mesma forma ocorre com o sangue!”

Continua fazendo sentido fora do contexto!

Mas vejamos; se seguirmos ao pé da letra a ilustração apresentada; somos criatura condenadas, pois o sangue está dentro de nós, se polui o tempo todo através de nossas funções básicas e se despolui através outra função básica do nosso próprio corpo.
Somos impuros antes do sangue passar pelos rins?!
Deveríamos nós substituir nosso sangue do nosso próprio corpo? Comparar o sangue a elementos externos tóxicos como álcool, tabaco, LSD e outras coisas é de uma lógica bizarra e desconexa que só faz sentido na cabeça de quem não tem mais a capacidade nata de raciocínio!

Triste mas verdade (ou mentira)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

“Um Novo Começo Sem Comparação...”


A fênix ou fénix (em grego ϕονιξ) é um pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas

Wikipédia



Assim como Neo na trilogia Matrix, acorda de seu sonho e passa a ter dificuldades com a realidade; assim é com muitos que deixaram as fileiras de militantes robotizados da Sociedade Torre de Vigia.
A impressão que se tem, é que ex-Testemunhas que foram Testemunhas por um longo período terão certamente mais dificuldades de encarar a realidade como ela é. Lembra o processo de desintoxicação de narcóticos. Quanto mais tempo usando a droga, maior o período e maior o sofrimento para libertar-se do vício.
É importante abordar esse tema, pois eu percebo que existe uma ansiedade entre as pessoas que não são e nunca foram Testemunhas de Jeová, no sentido de desejarem com força que pessoas que saíram da Torre retomem suas vidas rapidamente. Poucas pessoas sabem o quanto esse processo é difícil; arriscando-me a dizer que, talvez até mesmo alguns profissionais da área de psicologia não o sabem. O processo varia de pessoa para pessoa, é claro.
Na cultura Pop, tive alguns exemplos em desenhos animados de como a lavagem cerebral causa efeitos devastadores. Em Matrix o personagem principal se vê retirado de um universo que é apresentado como real, mas que no fim, não passa de uma grande ilusão mental para manter seres humanos como escravos de um sistema. No desenho japonês Saint Seiya havia um personagem capaz de fazer com que seus inimigos tivessem ilusões mentais tão perturbadoras que mesmo depois do efeito da ilusão, a pessoa continuava a ter dificuldades de saber o que era e o que não era real.

Emociono-me de ver a ficção tão perto da vida real e vise-versa. Tudo o que eu tinha desapareceu em poucos meses: meus pais, meus amigos, meu trabalho, minha formação – Fui submetido à um processo que podemos chamar de descaracterização. Toda ligação com o mundo real é apresentada como falsa para o que se sujeitam aos ensinos da Torre de Vigia. Partindo da idéia de que o mundo vai acabar a qualquer momento, primeiro nos são tirados os valores materiais:

”Para quê se esforçar tanto em ter um emprego de destaque e com um grande salário? Não percebe que esse mundo está a beira do fim? Devemos nos dedicar as coisas mais importantes; coisas como garantir que sobreviveremos ao fim, que você sabe, já esta perto.”

”Se você não mantiver o olho singelo, as preocupações do mundo vão te abraçar. Certifique-se das coisas mais importantes!”

A busca por conhecimento técnico-científico fica prejudicada e, em diferentes níveis e momentos, é claro, a pessoa perde o interesse na vida real e cria interesse na ilusão hipnótica. Vê a pregação de casa em casa como a obra mais importante não importa o quanto seja duro e difícil praticá-la. Se esforçar para aprender uma profissão fica em segundo plano, junto com aquele esforço adicional para crescer e se destacar profissionalmente.

Em seguida há a perda do vínculo emocional. Não é incomum ouvirmos

”Você vai perceber que não precisará ser duro ou hostil com os seus amigos e familiares. Com o seu foco nos seus interesses (espirituais), e sendo esses interesses diferente dos deles, aos poucos verá que eles mesmos se afastarão de você!”

”É o livre-arbítrio! Se eles não querem ouvir ou acatar a palavra de Jeová, você não pode fazer muita coisa a não ser orar por eles. O que não pode acontecer é a sua amizade com Jeová ser afetada por isso”

Já observaram que é necessário um grande esforço para se manter um relacionamento à distancia? Hoje em dia com a ajuda das redes sociais talvez não seja tão complicado, mas imagine uma família onde cada um vive em uma cidade diferente, se comunicando apenas por cartas ou telefonemas esporádicos. Fatalmente o vinculo entre essas pessoas tende a ser enfraquecido. Isso não é uma afirmação categórica, repito, é uma tendência; o que normalmente representa o resultado da observação de um comportamento da maioria. Imaginem agora pessoas vivendo em “realidades”, “mundos” diferentes! É isso que a Torre faz. Ela prega que amigos e familiares tendem a se afastar porque ela sabe que quando o individuo está inserido em sua realidade alternativa, a tendência é que os laços se enfraqueçam. E ela diz “Os laços vão enfraquecer” como se fosse um profeta dos tempos bíblicos, quando na realidade ela só esta usando a tendência ao seu favor.

Por fim a Torre destrói a capacidade do ser humano de buscar ajuda fora de seus muros.

”Todas as outras religiões serão destruídas pelos governantes do mundo”

”Fazem parte de babilônia A Grande!”

”Algumas ciências usam de artes mágicas, que são praticas condenadas por Jeová” (E aqui podemos incluir a Psicologia, Psiquiatria, Antropologia, Filosofia... entre outras ciências humanas)


A Torre é esperta, e sabe que deve preparar o terreno para que seus adeptos não fujam. Tira deles a esperança de encontrar conforto em qualquer outro lugar.


Depois de observarmos esses pontos podemos analisar o processo de saída da Torre.




*Faço aqui um relato meu, que provavelmente deve ter muito em comum com outras pessoas que passaram pelo mesmo processo.



 A perda de si mesmo.


Ao sair da Torre, toda a realidade começa a se distorcer em um grande pesadelo que não tem fim.  Lembro-me de tentar dormir para poder esquecer de tudo que estava se passando comigo, e no fim, acabar sonhando com aquilo que me perturbava. Ao acordar do pesadelo percebia que a realidade podia ser ainda pior. É um verdadeiro inferno sem escolha, sem saída. Aprendemos a tratar o mundo real como se fosse irreal, e o paraíso espiritual (mundo da fantasia) como se fosse presente e vivo. Perceber que o paraíso espiritual é uma mentira causa uma confusão enorme, a consciência fica dividida em dois pólos que passam a travar uma guerra entre si. Lembro-me de por vezes não ter sono pelo fato de minha cabeça estar um reboliço. O certo e o errado se consolidavam para se derreterem logo em seguida. Pensava nas tantas vezes que provavelmente entristeci o coração de alguém por não ter ido à uma festa de aniversário, não ter desejado parabéns e felicidades, natal e ano novo com família e amigos. Enquanto isso o outro lado berrava o quanto eu devia estar desagradando a Jeová e a seus servos fiéis por pensar aquelas coisas. Quantas famílias (de Testemunhas) resistem bem as “pressões” enquanto eu estava cedendo.
Do pique de adrenalina, ia à fadiga total. Alguns dias de trabalho completamente perdidos, seja por não ter forças nem mesmo para levantar da cama ou por ir ao trabalho e não conseguir produzir nada. Esse processo cruel fez com que eu esquecesse quem eu era e para quê eu estava vivo. O desejo de suicídio era um fantasma constante, e o mais incrível é que apesar de saber que a causa de tudo isso era o fato de ter sido mentalmente escravizado por uma organização agressiva, ainda possuía dentro de mim um vestígio de Síndrome de Estocolmo, um desejo mórbido de retornar para a Organização, na esperança de que isso aliviasse o meu sofrimento. Quantos não devem ter passado por isso ou devem ainda estar sofrendo assim?



Um Tenebroso Novo Mundo.
Esse é o momento em que as pessoas que saem da Torre de Vigia se deparam com a vida real.




Cair na real é um termo bastante usado na região em que vivo, e nunca foi tão claro o seu real significado para mim. Senti-me como quem cai do décimo andar, dá de cara no chão, sabe que rachou os ossos da face, sente a dor, mas o cérebro não desliga. A dor de “cair na real” é algo que poucos podem explicar. Havia uma esperança de uma nova terra, com carneirinhos saltitantes, crianças abraçadinhas com lobos bonitinhos e inofensivos, uvas do tamanho de uma laranja e laranjas quase do tamanho de melões, todos tão saborosos como nunca ninguém antes provavelmente já provou. Paz, segurança, abrigo, amor, amizade, trabalho agradável... vazio. Algo muito mais poderoso que o efeito do LSD. Um sonho colorido com cores fortes e intensas que, de uma hora para outra se tornam cinza e disforme. É como ganhar na mega-sena hoje e ser assaltado amanhã.
Esse é um momento duro com o qual muitos ex-Testemunhas têm que lidar. O mundo não vai acabar amanhã, a vida é dura, os empregos não são satisfatórios, as doenças estão aí, as guerras também, não se pode ficar parado. O meu exemplo nem se compara à outros exemplos que conheço, mas, que não me dou o direito de citar aqui. O meu foi coisa pouca, que com sorte, esforço e um pouco de ajuda dos meus amigos, logo poderá ser revertido. Estava em fase de formação na Universidade, poderia buscar emendar estudo e trabalho, pós-graduação, curso de idiomas; tudo foi deixado para trás. Consegui um emprego simples, bem básico para não atrapalhar minha “rotina espiritual”, meus “alvos espirituais”. O pouco tempo que fiquei não foi o suficiente para pôr fim em vínculos de amizade, mas havia feito um esforço para que eles se enfraquecessem, eu confesso. Quis ir trabalhar em Betel, justamente para esquecer dos “mundanos” e poder servir melhor a Jeová (Organização). Mesmo tendo formação superior, busquei fazer um curso profissionalizante pois “seria mais útil em Betel”.
Estava apagando a minha ligação com o mundo real.


Bem, como não fiquei muito tempo dentro da ilusão hipnótica das Testemunhas de Jeová, consigo colocar isso em dia; mas questiono a situação daqueles que passaram 10, 20, 50 anos dentro dessa organização. Quando saem o que acontece? Quem vai empregá-los? Pessoas que estiveram vivendo praticamente em um outro mundo, como farão para recuperar 10 anos perdidos? Não estou afirmando que é o fim do mundo para essas pessoas. Elas tem sim capacidade de retomar seus projetos, seus sonhos, seus hobbies. O que não posso, é negar que esse é um processo difícil, lento, demorado. Foi para mim, imagina para outros com mais idade, outros com menos saúde. Sair da Torre é se deparar com uma realidade no mínimo estranha. O mundo feio e sujo prestes a falir, parece que durará mais tempo do que se imaginava, e ao mesmo tempo em que trás uma sensação de tristeza é possível ver uma ponta de esperança como o sol que nasce por detrás da fumaça escura das grandes cidades. É o recomeço, o memento para abandonar o que é velho e faz mal apesar da sua “beleza” e abraçar o novo que faz bem, apesar de sua aparência mal cuidada.


O amanhecer depois da tempestade sempre será mais belo que os outros


Tudo que escrevi foi simplesmente um vislumbre do terror que vivi nos últimos meses. Ainda tenho sonhos devastadores, ainda detesto encontrar Testemunhas de Jeová nas ruas. Outro dia estava passeando no Shopping quando ouvi uma das músicas que costumam tocar nos Salões do Reino. Meu coração disparou, parecia que eu estava sendo devorado por uma besta selvagem; queria fugir sem saber pra onde, perdi o rumo até que em questão de segundos percebi que era meramente o toque de telefone de (provavelmente) uma Testemunha que também passeava no Shopping. Ao perceber o meu estado, fiquei indignado por ter me permitido chegar nessa situação.
Meu desejo é que a dissidência TJ continue se fortalecendo de verdade, não só no sentido de desmascarar a Torre, mas no sentido de entender que poucos no mundo têm a capacidade de ajudar e compreender outros como nós. Que seja através de blogs, de fóruns e de Associações como a ABRAVRIPRE, que é uma iniciativa fantástica, brasileira, que visa defender os direitos das vítimas de preconceito religioso.
Meu sonho é que possamos diminuir os traumas de pessoas que simplesmente “tinham tudo” e de repente perderam “tudo”. Precisamos fazer com que o mundo veja que essas e outras pessoas que tiveram a vida ligada a Torre precisam de ajuda. Ajuda-las a ver que a vida continua, que existem pessoas que conseguiram superar e que ela também poderão.


Vocês não estão sozinhos!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lavagem Cerebral Pt. 3 - Réquiem Para Sua Mente



 Depois de um mês inteiro muito conturbado para mim, estou de volta. Aos que acompanharam esse blog desde que ele se iniciou, peço perdão pela demora em retornar a postar nele. Muitos agora conhecem minha verdadeira identidade, mas esse blog não pode perder o foco; ainda há muito o que fazer pelas pessoas que estão aprisionadas nas masmorras da Torre de Vigia.
Hoje a minha condição não permite mais análises profundas do que acontece dentro da Torre. Saí de lá. Não consegui suportar a pressão de viver uma vida dupla. Não é fácil, são muitas escolhas a serem feitas a cada minuto, a cada passo. Eu precisava de liberdade. Sendo assim, passo agora a tratar dos temas que não exigem minha presença física e mental dentro dos pátios da Torre. Obrigado a todos que me deram forças para me libertar de uma vez por todas!

Já havia abordado o tema Lavagem Cerebral mas, de todos os aspectos que podemos relacionar, referente a esse tema, acredito que esse é o que mais me chama a atenção.
Muitos não tem a informação que vou passar agora, e os que sabem não entendem. Vou ajudar a esclarecer as coisas por aqui. Lá vai: Você sabia que as Testemunhas de Jeová tem seu próprio livro de Cânticos? -
Muitos poderão dizer que sim, e ainda completarem minha informação dizendo: "Outras denominações também tem"

Então qual é a novidade?

A novidade é que 99% das religiões possuem sim livros de Cânticos próprios, mas elas não se limitam à esse livro. Podemos observar as igrejas Batistas, Assembleias de Deus e IURD (Igreja Universal do Reino de Deus). Todas essas denominações possuem sues livros de músicas compostas por membros das denominações e que, de uma certa forma, abordam temas relacionados ao foco das respectivas denominações. A diferença é que essas denominações não se limitam a esses livros de músicas próprias. Essas denominações costumam aceitar as composições de, membros ou não, músicos evangélicos. Há a aceitação de bandas e cantores solo, escrevendo "louvores"
As Testemunhas de Jeová, por se considerarem a única religião verdadeira não aceitam ouvir músicas de "adoração" da cristandade, por isso adotaram um sistema de canções composta pela sua liderança, e somente essas canções devem ser usadas em suas liturgias.
Essa parece ser uma explicação nobre, se não observada de perto. Há algo mais nisso tudo; algo mais obscuro profundamente oculto na beleza das melodias.




No vídeo "Como as Seitas Controlam a Mente de Seus Adeptos", temos a seguinte afirmação: "Induza estados de transe e auto-hipnose praticando rituais anti-pensamento e atos repetitivos fazendo-os 'dançar', 'girar', 'cantar' (E aqui entra uma letra fictícia que diz: "amamos o líder, nossa amorosa haste. Quando estou sem sem ele, sinto-me um traste")..."

É notável como toda a prática mencionada durante todo o vídeo se enquadra na forma como a Organização Torre de Vigia conduz seus adeptos. Mais impressionante ainda é essa questão da música.
Como o objetivo aqui é denunciar, vou começar trabalhando as músicas que a maioria das Testemunhas de Jeová tem em casa; devido ao lançamento da gravação de um cd com algumas das músicas contidas em seus livros de cânticos.

Lembrando que estamos lidando com gente astuta. Esse cd nitidamente é composto com um bom gosto fora de série; com melodias vocais e arranjos instrumentais envolventes...

1 - "Este é o Caminho"

Essa canção é sutil, mas não menos ardilosa. Com letra bonita, ela insere a mensagem de que a Organização é o único caminho verdadeiro, e que desviar-se dele leva à morte.

"Este é o caminho', diz o Deus Jeová,
'NÃO SE DESVIE, nele deve andar'.
Este é o caminho, NÃO VOLTE ATRAS!
SOMENTE AQUI HÁ VIDA, AMOR E PAZ. "



2 - "Sempre Leais"

Outra música muito bonita. Me chama atenção a mensagem de apoiar ( e entendam; aqui refere-se a apoio incondicional) as decisões da liderança.

"Apoiemos lealmente, os queridos anciãos..."




8 - "Pregue a Palavra"

Essa é a música de campanha proselitista que incentiva os adeptos a trabalharem duro no propósito da Organização. Quando o adepto demonstra um menor interesse em sair por aí "pregando", é sinal de fraqueza na fé, já que a força vem do criador!

"Tempos dificeis haverá; muitos vão oposição enfrentar
pregar vai ser desafiador, mas nossa força vem do criador..."





10 - "Eu quero"

Essa canção encaixa com cuidado a autoridade "divina" da liderança das Testemunhas de Jeová. Aqui, o escravo fiel e discreto (classe de Testemunhas privilegiadas, ungidas, e com o direito a viver no céu, sendo chamadas de filhos de Deus) é colocado como presente, provisão vinda direta de Deus. A letra deixa claro que são eles os portadores da mensagem de Deus.


"Jeová, ajuda nos deu. o escravo fiel forneceu. É prazer ir pregar, tal classe apoiar.
Levar a mensagem de Deus."



14 - "Tornar conhecida a verdade do Reino"

 Esse trecho separado pode parecer inocente, mas quem já foi Testemunha de jeová pode confirmar. A Organização chama de escuridão todo ensinamento religioso que não provém da Torre de Vigia. Esse trecho menciona o período "pré-Russell". A letra diz que Deus enviou a luz, e revelou verdades puras... revelou pra quem? Se ainda tiver dúvidas, assista o DVD "Testemunhas de Jeová - Da escuridão para a luz", assim saberão que é a luz a qual a música se refere!

"Antigamente a escuridão difcultava a visão, mas a luz Deus enviou, verdades puras revelou"








Eu poderia estender essa postagem com dezenas de outras músicas com conteúdo mais "agresivo", mas seria demorado e contra-producente. Fica a dica para quem quiser observar mais de perto outras letras de música dessa religião, pesquisá-las na internet. Letras que volta e meia, vão mostrar às pessoas que elas não valem nada, que fora da Organização a vida não tem valor, que os que não são da religião serão exterminados feito ratos, que o sentido da vida é fazer o serviço de pregação, etc.

Antes de terminar, não deixarei de postar a "cartada final":


17 - "Imaginem a si mesmo no Paraíso"

Essa música é a "GRANDE RECOMPENSA"! Cheia de orquestrações retumbantes, realmente mexe com o ouvinte. Sua letra traz a promessa de vivermos numa sociedade onde só existirão Testemunhas de Jeová. Aqui, os "mundanos" já terão sido destruídos e só restarão os fiéis. Acredito que quase toda religião tem algum tipo de música assim. Música que falam de uma promessa de uma vida melhor no futuro.
Essa em especial, suavemente traz na segunda estrofe a frase "realidade já se tornou". Isso não é a toa!
As Testemunhas de Jeová se gabam de viverem num "paraíso espiritual"; uma espécie de realidade alternativa que só existe na cabeça delas, indicando que elas já vivem conforme as normas estabelecidas para os cidadãos do Novo Mundo. Normas essas estabelecidas pela Sociedade Torre de Vigia, ao se utilizar da bíblia! Entra aqui a separação do real de o irreal. Se você já vive no paraíso (realidade alternativa existente na sua cabeça), o mundo (realidade de fato) já não tem mais importancia! Pessoas, parentes e amigos, bens, conhecimento (secular) entre outras coisas, não significam mais nada.


Já posso ver você e eu, no paraíso que Deus prometeu.
Quanta emoção, ao caminha num mundo livre feliz em paz.
O mal não mais existirá, o Reino justo não vai falahar.
Um novo começo sem comparaçãoà Deus cantaremos de todo coração!

Jeová nosso Deus, que grande prazer
presenciar teu imenso poder
Profundo amor sentimos por ti Oh Senhor

És digno de glória de honra e louvor.

Eu posso até imaginar o Reino justo em que vamos morar
nenhuma dor; temor não há
conosco a tenda de Deus está
O que Jeová profetizou, realidade já se tornou
Agora os mortos irão despertar
com eles nós vamos ao nosso Deus cantar.



É incrível como as coisas acontecem com muita sutileza e delicadeza dentro da Torre. Nada, absolutamente nada é abrupto. O estudante da bíblia vai se identificando com o amor e carinho recebido, e imagina quanto amor e carinho receberá no futuro Novo Mundo. Nada que pode ser comparado ao amor e carinho que já recebe de pessoas do mundo. Essas passam a ser descartáveis, enquanto não demonstram interesse pela religião.

Triste assim


Mantenham-se firmes!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Pelo direito de ser criança



Olá meus amigos! Fugindo um pouco da temática da lavagem cerebral, esse novo post visa analisar um pequeno grupo de pessoas afetadas por uma religião agressiva e nociva.

As crianças.



Eu não preciso me basear nos relatos e histórias de ex-TJs, que sofreram em sua infância dentro da Torre, para escrever esse texto. Apesar de ter lido e conversado bastante com pessoas que hoje estão libertas da lavagem cerebral, e que me contaram as mais estranhas histórias de quando eram crianças e sofreram por estarem sendo controladas pelo sistema da S.T.V., além de ter assistido o documentário “O Mundo Perfeito de Jeová"; 

minha análise pode ser feita simplesmente ao observar as crianças da minha congregação.
É triste ver uma organização religiosa minando do ser humano, a oportunidade de viver da melhor forma possível, a melhor fase da vida. Vejo as crianças agindo como pequenos robôs, seguindo um padrão não-natural, vestindo-se como adultos; é tudo muito estranho. Elas não assistem desenhos, pois 99% dos desenhos "são influenciados por Satanás", vide: Padrinhos Mágicos, Jake Long, Junniper Lee, O pica-pau, Alladin, desenhos japoneses de forma geral, etc. - As crianças são privadas também do companheirismo escolar, afinal, as outras crianças são como as cananéias com quem Diná foi se meter; e no livro (para crianças!!!!) que relata a história do estupro de Diná(!!!) “Meu Livro de Histórias Bíblias”, a pergunta (sugestão) é clara: “Não queremos nos misturar com esse tipo de gente, né?” – Competições nem pensar, esportes em geral: futebol, vôlei, handball, basquete etc. – só entre os irmãos, quando tiverem uma oportunidade de lazer, porque no colégio já vira competição, já se torna “fazer parte” do mundo. Posso passar o dia inteiro aqui listando uma série de eventos sociais benéficos ao ser humano, dos quais as crianças TJs são privadas. O incrível é que (aparentemente) elas não ficam resignadas ao serem privadas dessas coisas. Elas são levadas a acreditar que esse é o proceder correto. Qual será o resultado disso?


 


É difícil não culpar essa religião quando vemos pessoas com transtorno de personalidade. É impossível fechar os olhos e dizer que isso é culpa da imperfeição, que é ataque violento de Satanás, O Diabo.
As próprias Testemunhas de Jeová insistem em falar em seus estudos: “Todo ser humano tem o desejo de ser aceito” – É claro!!! Observo que quase todas as crianças e pré-adolescentes do Salão do Reino já sofreram algum tipo de bullying no colégio; quem não sofreu ainda, está para sofrer. Todas as crianças estão por fora da cultura mundial, elas não sabem o que é Harry Potter nem O Pequeno Príncipe, não conhecem O Senhor dos Anéis, não acompanham a Copa do Mundo, nem campeonatos de futebol regional ou nacional, nunca ouviram falar de Bon Jovi ou U2; são desligadas, completamente alienadas, são treinadas a rebater qualquer “implicância” com base nas publicações da Torre de Vigia, e treinadas, como robôs, a trazer outras crianças do colégio para dentro da Organização, acreditando estarem salvando essas crianças.

Observando dessa forma o desenvolvimento de jovens e adultos Testemunhas de Jeová, temos que agradecer aos céus quando não desenvolvem transtornos psicológicos, quando não se tornam psicopatas, depressivos, entre outros males.



Houve uma situação: Um amiguinho cismou de querer usar o meu smartphone, por causa dos jogos. Insistiu que eu colocasse um jogo para ele jogar, e eu totalmente por fora dos jogos do meu aparelho. Procurei e vi que tinha ali instalado um jogo do Batman! Pensei: “Esse jogo vai distraí-lo!”. Coloquei o jogo pra rodar, aprendi rapidinho os comandos básicos para ensiná-lo, e deixei o smartphone com ele. Assim que fiz isso, fui anotar as “saídas de campo” do fim de semana, e sabem que até chegar ao quadro de avisos a gente vai cumprimentando e conversando com 300 pessoas diferentes! Eu lembro bem que eu mal havia sacado a caneta e o caderno de anotações para anotar os horários, o menino chegou até mim com os olhos arregalados, me devolvendo o smartphone como se fosse uma bomba-relógio e dizendo, todo ofegante: Apareceu um homem com uma metralhadora!!!! Apareceu um homem com uma metralhadora!!!
Demorou pra cair a minha ficha! Peguei o aparelho das mãos dele e fui acalmando ele: Ta bom, fica calmo! Vou fechar o jogo! Acabou!
Juro que eu fiquei horrorizado. Meu primeiro vídeo-game, eu ganhei quando tinha 6 anos; um dos primeiros jogos que eu joguei chamava-se SWAT. Era o perfeito jogo de “polícia e ladrão”. Aquilo nunca foi um influencia para mim, nunca me tornei um psicopata “odiador-da-raça-humana”. Não estou desconsiderando o efeito que jogos violentos podem ter nas crianças!!! Jamais farei isso!!! O que eu estou levantando aqui foi o desespero de uma criança ao ver um personagem com uma arma num joguinho de celular; e olha que é desses jogos bem “mixurucas”!
Acho que é isso que a Torre quer das suas crianças: Formar Jovens e Adultos com dificuldade de discernir o que é e o que não é real! Eu uso a metáfora de Matrix para me expressar nesse blog, mas não consigo pensar em outra melhor! A S.T.V. trabalha para que seus adeptos não tenham condições de questionar. Dessa forma é importante que as crianças não “cresçam”; vivam no mundo “só de passagem”, afinal o Novo Mundo está as portas. É neotenia humana: Apesar de crescerem físicamente mantém um comportamento infantil totalmente dependente de “seus donos” (A Torre), assim como os cães!
Como deve ser triste a vida de um idoso que nasceu na Organização, se privou de tudo, pois o Armagedon estava próximo, e até então, não veio. Saber que deixou de simplesmente correr na rua com outras crianças, deixou de jogar os jogos que todos jogavam: pique-esconde, pique-tá, taco, queimado e também os jogos de video-game - deixou ir ao cinema ver os sucessos da literatura ganhando vida nas telas, deixou de se fantasiar de índio junto com as outras crianças na escola. Tudo isso me entristece muito, pois eu gosto muito das crianças. Fico imaginando se para elas existe alguma salvação desse domínio opressor. Lembro-me que quando eu era criança, meus pais sempre me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse; a minha resposta era sempre algo hilariante: “Quero ser lixeiro, por que deve ser divertido andar agarrado na traseira do caminhão”; “Quero ser bombeiro para poder salvar as pessoas”, “Trocador de ônibus, pois ganha muito dinheiro das passagens”, “Policial, para matar os bandidos” etc . Meus pais nunca me repreenderam, na realidade eles em sua sabedoria sabiam que isso ia mudar com o tempo, que aquilo era só idéia de criança, com propósitos às vezes nobres, às vezes ambiciosos. Fico pensando nas respostas mecanizadas das crianças TJ, é sempre a mesma coisa: “Quero ser pioneiro” “Ancião”, “Betelita”. São condicionadas assim, com a lei da repreensão e reforço positivo: “Parabéns meu filho! Que lindo! Um dia você vai ser Betelita”  - Se a criança fala: “Eu quero ser médico!” – Vem a repreensão: “Será que você está pensando em Jeová?! Para ser médico você tem que trabalhar e estudar muito! Será que Jeová vai gostar de você deixa-lo de lado para ser médico! E além do mais, no Novo Mundo a gente não vai precisar de médico! Ou você não acredita no Novo Mundo?!”
Ouvi de um amiginho no Salão do Reino: “Senti muito sua falta” – A criança de onze anos chorou ao me dizer essas palavras. Será que essa criança não pode ser amiga de quem ela quiser? Tem obrigatoriamente que adotar como amigos os que são da sua religião, mesmo que não tenham afinidade nenhuma?

Perdoem-me, todos vocês que tem a paciência de ler esse blog, por essa postagem ser muito passional! A verdade é que eu não me conformo com isso. Aqueles que ingressam na ilusão da Torre (quase) por vontade própria, que decidem fechar os olhos para realidade e viver no mundo da fantasia, tem o direito de faze-lo. Me irrita mais, ver as crianças perdendo tudo por terem nascido ali e não terem escolha. Que espécie de adultos serão?

Já ouvi: “Meu filho pode se tornar gari (não desmerecendo a profissão que é muito digna), eu não ligo, desde que seja uma boa Testemunha de Jeová!”

Ok meu amigo, mas e se ele decidir se tornar Engenheiro Mecatrônico?
Já sei, o condicionamento que a Watchtower dá aos seus adeptos não vai nem permitir que ele sequer sonhe que um dia terá um desejo assim! Vai desejar sim, trabalhar de graça para “Jeová”

Mais uma vez, perdoem o desabafo!


Vocês não estão sozinhos!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Lavagem cerebral Pt. 2




BBB – Big Brother Bizarro



Finalmente estou de volta! Essas ultimas semanas foram extremamente cansativas, tudo por causa do carnaval. O carnaval é a época do ano que eu mais gosto, e esses dias estava tentando buscar a razão do porquê de gostar tanto do carnaval. Sexo descontrolado, pegação, danças sensuais, possibilidade de cometer delitos usando fantasia e não ser pego, poder ter relação sexual com pessoas do mesmo sexo sem que ninguém saiba, orgias alcoólicas??? NADA DISSO!
O carnaval é uma festa, como muitas outras. Essa pregação de festa do diabo, onde tudo de ruim acontece, prenúncio do fim do mundo, é até válido desde que seja pregado para todas as outras festas do ano. Eu vejo o carnaval como a oportunidade de uma “mini-férias” com festa, com shows, com fantasias e com arte de rua! Pensei nisso porque no meio do carnaval eu estava lá, bem em frente ao palco principal, gritando a plenos pulmões:

Você
É mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava, baby
Você
É algo assim
É tudo pra mim
É como eu sonhava, baby
Sou feliz agora
Não não vá embora não
Não não não não não”
Ou
“Me abraça e me beija
Me chama de meu amor
Me abraça e deseja
Vem mostrar pra mim o seu calor”
Nesse momento eu me perguntei: O que eu estou fazendo de errado? Ta certo que muitos fazem muitas coisas erradas no carnaval; mas o que eu estou fazendo? A resposta é óbvia: “Está participando. Está apoiando uma tática de Satanás, O Diabo, de desencaminhar milhares de pessoas.” – Mas isso, irmãos, é questão de consciência. Há quem goste, e há quem não goste. Eu gosto muito; reúno meus amigos, faço churrasco, vou a praia, vou aos blocos, vou aos shows à noite, canto, danço, etc.

O que isso tem a ver com a postagem sobre lavagem cerebral?

Acontece que andei observando um item interessante do mecanismo de reforma do pensamento do Dr. Robert P. Lifton: A Delação Premiada.

DELAÇÃO PREMIADA: Qualquer atitude errada, ainda que cometida em pensamento, deve ser reportada ao lider. Também se deve delatar os erros alheios. Isso acaba com o senso de privacidade e fortalece o lider.



É incrível como me sinto cercado de vigias ou sentinelas o tempo todo. Quando vou ao mercado comprar cerveja, encontro Testemunhas de Jeová que lá trabalham, a partir daí sinto que a qualquer momento serei questionado pela cerveja que comprei; se vou com amigos meus que não são TJs à alguma lanchonete e lá encontro Testemunhas de Jeová, sinto que serei questionado pelas minhas companhias, se não vou ao campo de manhã, sinto que as pessoas se questionam: Onde ele esteve, que não conseguiu acordar cedo para ir ao campo? -  É uma verdadeira prisão!
Estive lendo o livro de George Orwell, 1984, e fiquei horrorizado em como esse tipo de comportamento é relatado no livro; é idêntico ao que acontece dentro da Organização. As Testemunhas de Jeová são treinadas a se comportarem de modo exemplar (baseado nas normas da Torre), e a delatar os que não mantém esse padrão, sob pena de serem condenadas como cúmplices do infrator!!!

No livro de George Orwell temos o equipamento chamado tele-tela onde todos os movimentos do cidadão são vigiados noite e dia, e onde aparece a imagem do Grande Irmão (Big Brother), que em minha opinião podia ser chamado de Escravo Fiel e Discreto. Toda Testemunha de Jeová possui uma tele-tela figurativa onde a imagem do Grande Irmão aparece constantemente, vigiando cada passo seu, cada palavra e até mesmo seus pensamentos. Em cada esquina, estão sendo vigiadas. Todas as pessoas, mesmo as que não são Testemunhas, se tornam olhos do sistema, que as vigiam. Fazendo ainda um paralelo com o livro, temos a Polícia do Pensamento, que condena o cidadão pelos seus “crimes-idéia”, ou seja: até mesmo o pensar pode ser considerado crime. Não vemos nada diferente na S.T.V. onde somos treinados a delatar nossos próprios crimes, sob a pena de termos a nossa consciência nos maltratando noite e dia.
É um verdadeiro Big Brother (O programa de TV, que tem seu nome baseado no personagem do livro), só que pior, pois não é restrito à uma casa, é a sua vida: sua família, sua casa, seu trabalho, seu lazer, o que você come, o que você bebe, onde você vai e o porquê de ir até lá - simplesmente tudo. Será que as pessoas não conseguem perceber esse tipo de sistema
? Meus primeiros choques com a S.T.V foram justamente nesse quesito.
Estava eu todo feliz com meus amigos simplesmente comendo um hambúrguer numa lanchonete que havia iniciado atividades na minha cidade recentemente. Eu não deixei de ir à reunião de domingo, mas, como meus amigos insistem em me ter por perto, prometi que assim que saísse da reunião, iria até a tal lanchonete e passaríamos o fim de domingo juntos, lanchando. Ao chegar no local, poucos minutos depois, chega uma família de TJs da minha congregação. Nós nos cumprimentamos normalmente, e até então, não senti vergonha alguma de estar ali com meus amigos de infância. Imaginem o que eu senti, quando uma semana depois, o fato de eu estar “lanchando com mundanos” repercutiu no meu estudo pessoal!!! Meu instrutor veio me “aconselhar” sobre o tema: Más Companhias! -  Ali foi plantada a semente da liberdade (desobediência). Essa sensação de estar sendo constantemente vigiado não me agrada nem um pouco.
Observar esse método me fez lembrar do livro de Raymond Fraz, Crise de Consciencia, mostrando como as pessoas se deixam manipular. Lembro da quantidade de cartas que os irmãos, inocentes, enviavam a S.T.V. para contar detalhes até mesmo de suas relações íntimas de casais. Testemunhas de Jeová talvez não tenham medo de falarem com desassociados, talvez tenham sim, medo de serem vistas com desassociados, medo de serem vistas no cinema, ou em alguma festa. Lembrei de um evento que teve na minha cidade, um Encontro de MotoClubes, encontrei alguns jovens da congregação e ficou aquele mal estar: "O que será que ele(a) pensa de estar me vendo aqui?" - Eu pensei nisso na hora, e tenho certeza que eles também. Aí entra o empenho de recolocar a imagem no devido lugar com o pensamento: "O que será que vão pensar de mim, se eu não for ao campo amanhã cedo?" - Imaginem o esforço de todos para chegarem cedinho ao campo, para que os outros não pensassem algo tipo: "Fulano não veio ao campo porque ficou na festa ontem até tarde! Fulano não é espiritual (ou teocrático)!"
Mencionei o carnaval no início do post, pois tive que montar um intrincado esquema para poder curtir o carnaval sem ter problemas. Vou dizer: NÃO FOI FÁCIL – apesar de ter sido divertidíssimo! haha
Para curtir o carnaval, me utilizei dos meus amigos, que sabem da minha história, da minha situação e dificuldade dentro de uma seita nociva. Esquematizamos horários, lugares e vestimentas; modificamos hábitos diurnos e noturnos, locais de saída e locais para dormir. Tudo isso para que pudéssemos aproveitar o carnaval ao máximo, sem que eu tivesse algum problema. Isso não é vida, eu sei, mas é a escolha que eu fiz. Só não sei por quanto tempo ainda vou ficar vivendo dessa forma. Já consigo ver que isso não vai durar muito tempo; odeio o programa de televisão Big Brother Brasil; viver nele para o resto da minha vida é fora de cogitação.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lavagem Cerebral Pt. 1





Então pessoal; estive nas ultimas duas reuniões dessa semana que passou (considerando que a semana começa hoje, segunda-feira). Na reunião do meio da semana nem pude observar nada demais, a não ser o de sempre: a boa e velha repetição – aquela que enfatiza o tempo todo tudo que já foi ensinado e que ressalta pontos “importantes” do que foi aprendido. Eu fui nessa reunião mais para assistir ao discurso de estréia de um amigo na E.M.T. Ele se preparou muito para esse discurso e deixou claro que gostaria que eu presenciasse. Como eu já havia dito: as crianças são o meu ponto fraco. 
Na reunião de ontem também não teve nada demais. Um estudo bem levinho sobre a influencia do espírito santo, ensinando coisas válidas como: orar à Deus pedindo espírito santo – em um breve momento teve aquela ênfase negativa sobre nós mesmos que já estamos acostumados, dizendo que não somos ninguém, que não podemos tomar decisões sozinhos, etc.
Bem, como não teve nada de realmente relevante nessa semana, eu gostaria de dar ênfase ao processo de lavagem cerebral. Como ele começa, e onde pode nos levar.
Talvez eu tenha que fazer uma postagem dupla para poder discorrer descentemente sobre esse assunto. Vamos ao ponto.
A meu ver, a Organização é como um crocodilo com a boca aberta. A presa, incauta, se aproxima e enfia a cabeça bem na boca do réptil. Agora é só esperar a mordida.
Observei que entrar na “Organização de Jeová” é um processo desencadeado por uma ação inicial própria. Muitos vão dizer: “Mas é assim em qualquer lugar” – Eu, com certeza sei disso; mas estou me referindo aqui a lavagem cerebral. Assim como um fuzileiro naval decide entrar para a Marinha, se alista, faz a prova e ingressa no curso, para então, mesmo sem saber, sofrer a lavagem cerebral que é empregada pelas as organizações militares em geral; o estudante da bíblia também dá esse primeiro passo. É esse passo que o “crocodilo” está esperando.
Ao conversar com um amigo, o “irmão profeta”, sobre quem eu já escrevi uma vez aqui, descobri como foi que ele chegou até a Organização. Soube que ele se apaixonou por uma irmã, e ela se apaixonou por ele. A partir daí, como demonstração de amor genuíno, ele decidiu estudar a bíblia para se tornar uma Testemunha de Jeová, e assim, poder até mesmo chegar ao casamento com essa irmã. Linda história; qualquer conto de fada poderia pegar esse script e se tornar filme da Disney; exceto pelo fato de ser uma história iniciada dentro e através da Torre, o que nos leva a acreditar que não existe outro final senão a tragédia para esse filme.
O “irmão profeta” casou-se, e, passado alguns anos o casamento “deu ruim”. A pessoa com quem ele havia se casado sofria de algum problema psicológico (não vou nem mencionar os motivos do problema psicológico), e sem agüentar a pressão, a esposa do "irmão profeta" simplesmente surtou. O relato prossegue da forma mais novelística possível: o casal briga, o irmão se vê obrigado a sair de casa, a mulher vai procurar um médico, o “irmão profeta” também, ele passa a sofrer de depressão aguda, ambos insistem em manter a lealdade a Jeová acima de tudo, e isso significa dar uma ignorada nos próprios problemas e sair por aí fazendo horas no serviço – aquele “fardo levinho” que todos sabem.
Todo esse quadro me fez ficar com pena dos dois. Comecei a buscar a resposta para a pergunta: Onde tudo isso começou? – O que eu queria entender era o porquê de alguém se submeter à agruras desse tipo e permanecer nelas. Lembrei-me dos oito processos que caracterizam a lavagem cerebral e decidi focar nelas para entender o sofrimento do meu amigo.



A Reforma do Pensamento






O psiquiatra americano Robert P. Lifton, professor de universidades como Harvard e Yale, descreve em oito passos as principais características do que ele chama de "Reforma do Pensamento".  Assim que comecei a questionar minha própria consciência, eu me deparei com um vídeo que retratava o estudo feito pelo psiquiatra Robert P. Lifton. Esse vídeo foi quem literalmente “quebrou” a reforma feita na minha mente. Talvez não tenha quebrado por completo, mas destruiu a coluna principal deixando o peso da falsidade do ensino derrubar as outras colunas.
Ao tentar entender a situação do “irmão profeta”, não pensei em nenhum outro caminho senão o de rever os conceitos do Dr. Robert.
Gostaria de lembrar que, para se caracterizar “reforma do pensamento” não é necessário a aplicação dos oito passos, somente alguns já são o suficiente. Tentarei trabalhar todos os oito passos aqui, com exemplos reais do que eu vejo dentro da Matrix. Também não analisarei na ordem descrita pelo autor. Farei de acordo com os exemplos e análises que possuo.



MUNDO DIVIDIDO: O mundo é dividido entre “bons” (o grupo) e “maus” (todo o resto). Não existe meio termo. É preciso se policiar para agir de acordo com o padrão e comportamento “ideal”. O fator fundamental para o sucesso da lavagem cerebral é criar um mundo que se divide entre “nós” e “eles”.


O irmão profeta, tinha sua própria vida, sua própria religião, seu próprio círculo de amigos. Tudo acabou. Ao iniciar seu estudo da bíblia, aprendeu que era tudo uma grande mentira. Aprendeu que os amigos não eram amigos, que a família pode ser deixada para trás, que as religiões são falsas, que o mundo será destruído. O que sobra? Sobra somente o “eu”. O “eu” inicialmente é retirado da realidade em que vive, já que ele aprende que é tudo mentira. Então ele sai dali e vai para a realidade projetada, o “paraíso espiritual" que é o limiar para o “paraíso real” que está a beira de chegar.
Eis a ilusão hipnótica: o que está dentro é bom, o que está fora é mau. Você quer estar fora?  - O “irmão profeta” ingressou na religião e ela começou a desestabilizar a sua vida, mas o pensamento já estava reformado: ruim aqui, pior lá fora – pensamento típico de quem acredita estar no melhor lugar para si, sem dar chances para outras oportunidades com pessoas e lugares diferentes.
O casamento acabou, a depressão bateu; quando ocorre crise de depressão é Jeová peneirando a Organização, quando a crise passa é Jeová confortando. O ciclo é eterno, o desejo de amar e ser amado vai permanecer para sempre, mas, para todos os efeitos, não passa de tentação de Satanás.
O “irmão profeta” aprendeu que deve ser leal a Jeová, ele não se lembra mais que a sua motivação para ter ingressado nessa religião, foi sua paixão por uma mulher. A mulher, imperfeita como qualquer outra pessoa, não correspondeu suas expectativas, mas Jeová, invisível porém perfeito, corresponde. A mente está presa, está condicionada. Os remédios fazem parte da sua vida. Dormir cedo, acordar cedo, trabalhar, ir as reuniões, ir ao campo, não desanimar. Essas são as palavras de ordem que dão rumo a uma vida que não tem mais um propósito genuíno. O que existe agora é a vontade de Deus (ou da S.T.V.) suplantando a sua própria vontade. Será que ele não percebe isso? Claro que percebe, mas acha que é outra coisa: O pecado original, sua imperfeição, Satanás, etc.


Tenho “passeado” por dentro da Torre, as vezes acho interessante, as vezes acho engraçado, mas as vezes tenho medo.





terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Amizade







No mundo pode não existir nada pelo que valha a pena nos sacrificar, exceto pela amizade.”  Os Cavaleiros do Zodíaco  


 Estudo pessoal ontem com o meu amigo e instrutor. O assunto abordado? Limpeza física, espiritual e moral. É interessante como a S.T.V controla todos os aspectos da vida pessoal de seus adeptos. Muitas vezes isso é algo ruim, mas existe também o lado bom. Para os “porquinhos” inveterados, uma boa lição de higiene pessoal e limpeza do ambiente é algo que se faz necessário. 
A maldade está em utilizar o tema para lançar as sutilezas de ensinamento autoritário e fundamentalista. Digo isso porque nesse estudo, o livro “Mantenha-se no amor de Deus” enumera uma seqüência de princípios bíblicos que devem ser aplicados para que possamos nos manter no amor de Deus. Posso aqui citar o básico: “Amar a Deus sobre todas as coisas” – A aplicação é: Amamos a Deus, Deus ama limpeza, então para sermos amados por Deus e, pelo desejo de agradarmos a quem amamos, seremos limpos. – Chega a ser bonito analisar esses pontos de vista da Torre de Vigia, ou da bíblia se preferirem, pois vemos a criação de uma relação afetiva entre o estudante e Deus, sendo feita através de métodos de dedução: X=Y, Y≠Z, Logo...

Até aí nada demais. Eu já compreendo esse mecanismo e ele não em afeta mais. O problema estava na página 94, em um quadro chamado:  ESTOU ME ESFORÇANDO PARA FAZER O QUE É CERTO? – No meio da abordagem de diversos assuntos dentro do quadro, uma das perguntas é: Como as pessoas com quem me associo, os filmes que assisto e as músicas que ouço afetam minha determinação de evitar maus hábitos? – Incrível! No meio de um assunto sobre limpeza (pureza) a Torre lança um questionamento em que deixa claro, a sua atitude de chamar de “impuro” pessoas que não são Testemunhas de Jeová. Meu amigo, se você quer montar uma seita de dominação mental em escala global, tem muito o que aprender com a Torre de Vigia.

Eis que nesse momento do meu estudo, o meu instrutor não se contentou e resolveu se aprofundar no assunto; o problema é que ele foi super previsível. Eu estava há uns dois dias me preparando para isso; eu sabia que ele ia a fundo quando o livro fizesse essa pergunta.
Apesar de já esperar, eu fiquei um pouco surpreso e também um pouco triste. Mesmo assim me concentrei para entender que aquela pessoa ali não era o meu instrutor falando, mas sim, a programação que a Organização faz nos seus adeptos. É o efeito replicante, também conhecido como efeito vírus; e sabendo desse “defeito” eu não ia me chatear.
O legal é que eu pude desenvolver o assunto. Isso porque, acho que sem perceber ( e a maioria das Testemunhas de Jeová não percebe), ele estava me fazendo uma pergunta que já havia feito antes. Entre as TJs existe isso, elas abordam os temas de um ponto de vista unilateral, assim, se não existe uma outra forma de abordagem, elas vão ficar batendo na mesma tecla vencendo pelo cansaço.

Observem a diferença entre a primeira vez que a pergunta foi feita, em um estudo anterior específico sobre amizades, e essa segunda abordagem mais recente:

Meu instrutor: “(...) assim devemos buscar ser amigos somente de quem é amigo de Jeová (traduzindo: amigo de quem é TJ). Podemos pensar: Essa pessoa (aqui já se tratando de um “mundano”) tem algum dom espiritual para me acrescentar? – Me diz você; pense bem, seus amigos tem algum dom espiritual para te acrescentar?”

Eu (idiota): “É, realmente eles não tem dom espiritual nenhum para me acrescentar, e pior, acabam me influenciando a um comportamento que Jeová não aprova”

Segunda abordagem:

Meu instrutor: (...) “Visto que todos os problemas que aconteceram com você nos últimos meses, esse seu afastamento e tudo mais; foi justificado pelo fato de você não conseguir se afastar dos seus amigos, pare e pense: Seus amigos tem algum dom espiritual para te acrescentar? (A MESMA PERGUNTA!!!!) Assim, seja sincero, não leve em consideração o emocional (?????), existe algo de construtivo em ter amizade com essas pessoas?

Eu (já com a mente aberta): Essa é uma pergunta injusta. Não posso exigir de alguém que não tem conhecimento da verdade, que me conceda ou me acrescente algum dom espiritual. Isso é impossível e injusto com essas pessoas. Nesse caso eu não posso desconsiderar o emocional mas sim o espiritual, já que eu não posso ter esse tipo de relação com quem é “do mundo”. A diferença é que o meu relacionamento vai além disso. Eu cresci com essas pessoas; muitas vezes nem minha família pôde fazer por mim o que meus amigos fizeram. Momentos bons, momentos de crise, tanto de uns como de outros; estivemos juntos o tempo inteiro. Nossa formação foi feita por nós já que nossas família coincidentemente não eram estruturadas o suficiente para nos dar o suporte que realmente precisávamos.

Meu instrutor: Entendo, existe uma certa lealdade que vocês não conseguem quebrar.

Eu: Não existe amizade sem lealdade. Não é possível eu ser amigo de alguém sem ser leal a ele. Não fiz amigos por lealdade ao colégio, ou à faculdade, ou ao clube ou alguma banda de rock; a lealdade está vinculada a pessoa e não pode depender de fator externo.
(Nessa hora esperei a resposta sobre a amizade de Davi e Jonatã; onde certamente seria citado que a amizade dos dois estava vinculada a lealdade que cada um deles tinha com Jeová. A resposta não veio)


É triste ver que a S.T.V tem minado esse sentimento das pessoas. Ser amigo e ter amigos é gostoso pelo fato de amarmos uma pessoa pelo o que ela é; pelo bem que ela nos faz independente de filosofia ou religião. Um amigo TJ pode me ligar no meio da noite eu estarei lá por ele, assim como estarei por um amigo “mundano”(odeio esse termo).

Bem, por enquanto é isso! Quarta-feira tem reunião e eu vou ver um discurso de um garotinho muito especial que gosta muito de mim! Pelo visto só volto a postar semana que vem!

Mantenham-se vigilantes!