segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Assembléia de Circuito 2011 - 2012

Eu sabia desde o começo que isso aconteceria! Entrar na Matrix é mergulhar fundo num oceano cheio de tubarões. Se a sua ferida não estiver bem cicatrizada, o cheiro do sangue os atrai; realmente é necessário muita frieza para se manter seguro lá dentro.

Eu consegui. Fui a um dia da Assembléia de Circuito, no caso o Domingo, e voltei fascinado. Enquanto estava lá, raciocinei a situação de Neo no filme Matrix. No filme, Neo não deixa uma vida normal para traz. Sua vida simplesmente não faz sentido algum. Ele não tem amigos e nem família, não há nada que o prenda dentro da Matrix.
Essa situação é muito diferente da nossa, já que ao nos desprogramarmos, enxergamos quantas pessoas que amamos estão lá simplesmente presas e sem ter como sair. Quando reingressamos na Matrix, o desejo de se manter na ilusão é muito forte e é necessário muito esforço e sabedoria para mantermos a sanidade e entendermos que aquilo não é real.

Dessa minha experiencia trago duas análises:

A primeira se refere as pessoas. Observei que muitos que saíram da organização expressam um sentimento de rancor muito forte que, eu acredito que quando é direcionado à Organização, de uma certa forma é válido. Vejam bem: "De uma certa forma". É normal nos sentirmos ressentidos, mas fazer disso um estilo de vida, não é saudável. E temos que lembrar que a Organização é formada por seres humanos, os mesmos seres humanos por quem nutrimos bons sentimentos. "Eles não sabem o que fazem", já dizia a Bíblia!
Eu, felizmente, consegui realmente visualizar a codificação por detrás da falsa realidade criada pela Organização; e isso me fez enxergar que a Organização dita tudo, menos o sentimento. O sentimento, quando é genuíno, não pode ser moldado ou fabricado por regras pré-estabelecidas. Não entender isso estava atrapalhando a minha tomada de decisões. Entendi que o relacionamento pode ter se iniciado baseado nos valores da S.T.V ou da Bíblia, entendam como quiserem, mas o sentimento que nasce do relacionamento é sempre genuíno. Assim, concluo que muitos sofrem a dor do processo de desassociação, especificamente o desassociado, mas quando me refiro à "muitos" incluo os que ficam. A impressão que os relatos de desassociados passa, é de que quem fica não sofre. Não é bem assim. O sentimento genuíno causa dor na separação de ambas as partes. Entender isso aumenta o rancor para com a S.T.V, pela forma que causa sofrimento à muitos, mas também me faz sentir compaixão infinita pelas pessoas que mesmo sofrendo acreditam na Torre.

O segundo ponto se refere às técnicas de dominação mental da Torre de Vigia. É interessante que quando se tem confiança plena no que a Organização diz, cada Congresso ou Assembléia parece único, com discursos únicos. Ao nos aproximarmos sem a venda que nos impedia de enxergar, é possível observar a repetição de assuntos visando massificar uma ideia na cabeça do povo. Exatamente como na postagem sobre a pílula azul e a pílula vermelha. A quantidade de pílula azul é impressionante!
Continuam os discursos alarmistas sobre o Armagedom (Nesse caso o orador fez a seguinte ilustração: "Sempre antes de despertar, o relógio faz um "beep", milésimos de segundos antes. Ocorre o "beep" e depois o relógio desperta. O "beep" do Armagedom já foi dado").
Houve no sábado (eu não estava presente mas vi na programação) um simpósio abordando o "perigo da internet" ( A Torre tem cada dia mais pavor da internet). O mais interessante (pelo menos pra mim), aconteceu durante um simpósio no domingo, onde, em um assunto totalmente fora de contexto, a Torre encaixou uma daquelas encenações, e nessa especificamente, um estudante pergunta ao instrutor porque houveram tantas mudanças no entendimento do termo "essa geração", dizendo que estava achando que o Escravo Fiel e Discreto estava adiando o Armagedom. O instrutor se prepara para dar sua explicação para o assunto; eu me ajeito na cadeira para entender a explicação, mas quando o senhor abre a boca e começa a falar... CADÊ A EXPLICAÇÃO?? Ele simplesmente repete o "novo entendimento" da Torre, lendo diretamente de uma revista A Sentinela de 2010 (perdoem-me por não ter gravado a data e a edição exata) e enfatiza que esse novo entendimento não adia o Armagedom e que devemos confiar no Escravo Fiel e Discreto.
Eu sei que o que eu acabo de dizer aqui para muitos não é novidade, mas achei interessante ter conseguido observar essa sutileza da Torre em responder exatamente essa pergunta (todos os fóruns de Ex-Testemunhas de Jeová estão discutindo isso fervorosamente), inserindo o tema dentro de um outro tema absolutamente diferente. É como se ela oferecesse um banquete com o objetivo de te envenenar, só que ela coloca o veneno no açúcar do cafezinho após o banquete! Sutileza é o que há!


No mais, foi bom rever as pessoas, abraçá-las, almoçar junto com elas. Ruim é ter que se desvencilhar do compromisso de aparecer na próxima reunião, no campo, no estudo, etc etc etc. A pressão é terrível, e tem que ter "jeitinho" pra não ceder ou não despachar toda a verdade pra todo mundo logo.
Especificamente sobre essa "pressão", farei outra postagem ainda essa semana abordando minha visão sobre o assunto. Por enquanto é só, e lembrem-se: "A colher não é real"



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