quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Mito da Caverna

Não tem como iniciar esse blog com um tema diferente. Ainda não fiz uma descrição minha no perfil, mas adianto que sou uma pessoa de mente aberta que passou 1 ano e meio cego pela doutrina de uma religião.

As Testemunhas de Jeová do mundo inteiro, acreditam estar seguindo aquilo que chamam de verdade. Aparentemente essa "verdade" é produzida de uma forma que poucos conhecem. Só sabem que é produzida e ponto. Dão a essa informação, por livre e espontânea vontade, o caráter de sagrada e inquestionável.

Lembro-me que assim que comecei a estudar com as Testemunhas de Jeová, associei o que estava aprendendo ao Mito da Caverna de Platão. Naquele ponto eu acreditava nas verdades produzidas pelo Corpo Governante de forma cega.
Relacionei que havia saído da caverna do mundo e ido para a luz da Organização de Jeová.

Agora que enxergo as coisas claramente entendo; entrei na caverna quando comecei a estudar com as Testemunhas de Jeová e passei a agir como os personagens desse mito muito conhecido.

Liberto da escravização da Torre de Vigia, vejo como esse mito se aplica dentro da Organização. As pessoas estão cegas demais para darem ouvidos a quem tem algo a dizer sobre a Torre de Vigia baseado em estudo de publicação não produzida pela própria Torre.

É uma pena, estou perdendo talvez o melhor amigo que eu tenha tido na minha vida. Talvez nunca mais encontre um amigo como esse. É a infelicidade de sair da ignorância. O tempo dirá o que será de nós todos que saímos! Espero mesmo que venham momentos melhores, que as famílias e os amigos voltem a compartilhar das presenças uns dos outros um dia! Quero viver para ver isso acontecer! E a tempo de eu dar um abraço com olhos marejados no meu grande amigo e instrutor!

Segue o texto de Platão. Vejam se conseguem identificar a semelhança entre o texto e a realidade dentro da Torre






O MITO DA CAVERNA (Platão)

 Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ele e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela os prisioneiros enxergam na parede no fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginavam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a sua vida, não vira senão sombra de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário