segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lavagem Cerebral Pt. 1





Então pessoal; estive nas ultimas duas reuniões dessa semana que passou (considerando que a semana começa hoje, segunda-feira). Na reunião do meio da semana nem pude observar nada demais, a não ser o de sempre: a boa e velha repetição – aquela que enfatiza o tempo todo tudo que já foi ensinado e que ressalta pontos “importantes” do que foi aprendido. Eu fui nessa reunião mais para assistir ao discurso de estréia de um amigo na E.M.T. Ele se preparou muito para esse discurso e deixou claro que gostaria que eu presenciasse. Como eu já havia dito: as crianças são o meu ponto fraco. 
Na reunião de ontem também não teve nada demais. Um estudo bem levinho sobre a influencia do espírito santo, ensinando coisas válidas como: orar à Deus pedindo espírito santo – em um breve momento teve aquela ênfase negativa sobre nós mesmos que já estamos acostumados, dizendo que não somos ninguém, que não podemos tomar decisões sozinhos, etc.
Bem, como não teve nada de realmente relevante nessa semana, eu gostaria de dar ênfase ao processo de lavagem cerebral. Como ele começa, e onde pode nos levar.
Talvez eu tenha que fazer uma postagem dupla para poder discorrer descentemente sobre esse assunto. Vamos ao ponto.
A meu ver, a Organização é como um crocodilo com a boca aberta. A presa, incauta, se aproxima e enfia a cabeça bem na boca do réptil. Agora é só esperar a mordida.
Observei que entrar na “Organização de Jeová” é um processo desencadeado por uma ação inicial própria. Muitos vão dizer: “Mas é assim em qualquer lugar” – Eu, com certeza sei disso; mas estou me referindo aqui a lavagem cerebral. Assim como um fuzileiro naval decide entrar para a Marinha, se alista, faz a prova e ingressa no curso, para então, mesmo sem saber, sofrer a lavagem cerebral que é empregada pelas as organizações militares em geral; o estudante da bíblia também dá esse primeiro passo. É esse passo que o “crocodilo” está esperando.
Ao conversar com um amigo, o “irmão profeta”, sobre quem eu já escrevi uma vez aqui, descobri como foi que ele chegou até a Organização. Soube que ele se apaixonou por uma irmã, e ela se apaixonou por ele. A partir daí, como demonstração de amor genuíno, ele decidiu estudar a bíblia para se tornar uma Testemunha de Jeová, e assim, poder até mesmo chegar ao casamento com essa irmã. Linda história; qualquer conto de fada poderia pegar esse script e se tornar filme da Disney; exceto pelo fato de ser uma história iniciada dentro e através da Torre, o que nos leva a acreditar que não existe outro final senão a tragédia para esse filme.
O “irmão profeta” casou-se, e, passado alguns anos o casamento “deu ruim”. A pessoa com quem ele havia se casado sofria de algum problema psicológico (não vou nem mencionar os motivos do problema psicológico), e sem agüentar a pressão, a esposa do "irmão profeta" simplesmente surtou. O relato prossegue da forma mais novelística possível: o casal briga, o irmão se vê obrigado a sair de casa, a mulher vai procurar um médico, o “irmão profeta” também, ele passa a sofrer de depressão aguda, ambos insistem em manter a lealdade a Jeová acima de tudo, e isso significa dar uma ignorada nos próprios problemas e sair por aí fazendo horas no serviço – aquele “fardo levinho” que todos sabem.
Todo esse quadro me fez ficar com pena dos dois. Comecei a buscar a resposta para a pergunta: Onde tudo isso começou? – O que eu queria entender era o porquê de alguém se submeter à agruras desse tipo e permanecer nelas. Lembrei-me dos oito processos que caracterizam a lavagem cerebral e decidi focar nelas para entender o sofrimento do meu amigo.



A Reforma do Pensamento






O psiquiatra americano Robert P. Lifton, professor de universidades como Harvard e Yale, descreve em oito passos as principais características do que ele chama de "Reforma do Pensamento".  Assim que comecei a questionar minha própria consciência, eu me deparei com um vídeo que retratava o estudo feito pelo psiquiatra Robert P. Lifton. Esse vídeo foi quem literalmente “quebrou” a reforma feita na minha mente. Talvez não tenha quebrado por completo, mas destruiu a coluna principal deixando o peso da falsidade do ensino derrubar as outras colunas.
Ao tentar entender a situação do “irmão profeta”, não pensei em nenhum outro caminho senão o de rever os conceitos do Dr. Robert.
Gostaria de lembrar que, para se caracterizar “reforma do pensamento” não é necessário a aplicação dos oito passos, somente alguns já são o suficiente. Tentarei trabalhar todos os oito passos aqui, com exemplos reais do que eu vejo dentro da Matrix. Também não analisarei na ordem descrita pelo autor. Farei de acordo com os exemplos e análises que possuo.



MUNDO DIVIDIDO: O mundo é dividido entre “bons” (o grupo) e “maus” (todo o resto). Não existe meio termo. É preciso se policiar para agir de acordo com o padrão e comportamento “ideal”. O fator fundamental para o sucesso da lavagem cerebral é criar um mundo que se divide entre “nós” e “eles”.


O irmão profeta, tinha sua própria vida, sua própria religião, seu próprio círculo de amigos. Tudo acabou. Ao iniciar seu estudo da bíblia, aprendeu que era tudo uma grande mentira. Aprendeu que os amigos não eram amigos, que a família pode ser deixada para trás, que as religiões são falsas, que o mundo será destruído. O que sobra? Sobra somente o “eu”. O “eu” inicialmente é retirado da realidade em que vive, já que ele aprende que é tudo mentira. Então ele sai dali e vai para a realidade projetada, o “paraíso espiritual" que é o limiar para o “paraíso real” que está a beira de chegar.
Eis a ilusão hipnótica: o que está dentro é bom, o que está fora é mau. Você quer estar fora?  - O “irmão profeta” ingressou na religião e ela começou a desestabilizar a sua vida, mas o pensamento já estava reformado: ruim aqui, pior lá fora – pensamento típico de quem acredita estar no melhor lugar para si, sem dar chances para outras oportunidades com pessoas e lugares diferentes.
O casamento acabou, a depressão bateu; quando ocorre crise de depressão é Jeová peneirando a Organização, quando a crise passa é Jeová confortando. O ciclo é eterno, o desejo de amar e ser amado vai permanecer para sempre, mas, para todos os efeitos, não passa de tentação de Satanás.
O “irmão profeta” aprendeu que deve ser leal a Jeová, ele não se lembra mais que a sua motivação para ter ingressado nessa religião, foi sua paixão por uma mulher. A mulher, imperfeita como qualquer outra pessoa, não correspondeu suas expectativas, mas Jeová, invisível porém perfeito, corresponde. A mente está presa, está condicionada. Os remédios fazem parte da sua vida. Dormir cedo, acordar cedo, trabalhar, ir as reuniões, ir ao campo, não desanimar. Essas são as palavras de ordem que dão rumo a uma vida que não tem mais um propósito genuíno. O que existe agora é a vontade de Deus (ou da S.T.V.) suplantando a sua própria vontade. Será que ele não percebe isso? Claro que percebe, mas acha que é outra coisa: O pecado original, sua imperfeição, Satanás, etc.


Tenho “passeado” por dentro da Torre, as vezes acho interessante, as vezes acho engraçado, mas as vezes tenho medo.





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