terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Lavagem cerebral Pt. 2




BBB – Big Brother Bizarro



Finalmente estou de volta! Essas ultimas semanas foram extremamente cansativas, tudo por causa do carnaval. O carnaval é a época do ano que eu mais gosto, e esses dias estava tentando buscar a razão do porquê de gostar tanto do carnaval. Sexo descontrolado, pegação, danças sensuais, possibilidade de cometer delitos usando fantasia e não ser pego, poder ter relação sexual com pessoas do mesmo sexo sem que ninguém saiba, orgias alcoólicas??? NADA DISSO!
O carnaval é uma festa, como muitas outras. Essa pregação de festa do diabo, onde tudo de ruim acontece, prenúncio do fim do mundo, é até válido desde que seja pregado para todas as outras festas do ano. Eu vejo o carnaval como a oportunidade de uma “mini-férias” com festa, com shows, com fantasias e com arte de rua! Pensei nisso porque no meio do carnaval eu estava lá, bem em frente ao palco principal, gritando a plenos pulmões:

Você
É mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava, baby
Você
É algo assim
É tudo pra mim
É como eu sonhava, baby
Sou feliz agora
Não não vá embora não
Não não não não não”
Ou
“Me abraça e me beija
Me chama de meu amor
Me abraça e deseja
Vem mostrar pra mim o seu calor”
Nesse momento eu me perguntei: O que eu estou fazendo de errado? Ta certo que muitos fazem muitas coisas erradas no carnaval; mas o que eu estou fazendo? A resposta é óbvia: “Está participando. Está apoiando uma tática de Satanás, O Diabo, de desencaminhar milhares de pessoas.” – Mas isso, irmãos, é questão de consciência. Há quem goste, e há quem não goste. Eu gosto muito; reúno meus amigos, faço churrasco, vou a praia, vou aos blocos, vou aos shows à noite, canto, danço, etc.

O que isso tem a ver com a postagem sobre lavagem cerebral?

Acontece que andei observando um item interessante do mecanismo de reforma do pensamento do Dr. Robert P. Lifton: A Delação Premiada.

DELAÇÃO PREMIADA: Qualquer atitude errada, ainda que cometida em pensamento, deve ser reportada ao lider. Também se deve delatar os erros alheios. Isso acaba com o senso de privacidade e fortalece o lider.



É incrível como me sinto cercado de vigias ou sentinelas o tempo todo. Quando vou ao mercado comprar cerveja, encontro Testemunhas de Jeová que lá trabalham, a partir daí sinto que a qualquer momento serei questionado pela cerveja que comprei; se vou com amigos meus que não são TJs à alguma lanchonete e lá encontro Testemunhas de Jeová, sinto que serei questionado pelas minhas companhias, se não vou ao campo de manhã, sinto que as pessoas se questionam: Onde ele esteve, que não conseguiu acordar cedo para ir ao campo? -  É uma verdadeira prisão!
Estive lendo o livro de George Orwell, 1984, e fiquei horrorizado em como esse tipo de comportamento é relatado no livro; é idêntico ao que acontece dentro da Organização. As Testemunhas de Jeová são treinadas a se comportarem de modo exemplar (baseado nas normas da Torre), e a delatar os que não mantém esse padrão, sob pena de serem condenadas como cúmplices do infrator!!!

No livro de George Orwell temos o equipamento chamado tele-tela onde todos os movimentos do cidadão são vigiados noite e dia, e onde aparece a imagem do Grande Irmão (Big Brother), que em minha opinião podia ser chamado de Escravo Fiel e Discreto. Toda Testemunha de Jeová possui uma tele-tela figurativa onde a imagem do Grande Irmão aparece constantemente, vigiando cada passo seu, cada palavra e até mesmo seus pensamentos. Em cada esquina, estão sendo vigiadas. Todas as pessoas, mesmo as que não são Testemunhas, se tornam olhos do sistema, que as vigiam. Fazendo ainda um paralelo com o livro, temos a Polícia do Pensamento, que condena o cidadão pelos seus “crimes-idéia”, ou seja: até mesmo o pensar pode ser considerado crime. Não vemos nada diferente na S.T.V. onde somos treinados a delatar nossos próprios crimes, sob a pena de termos a nossa consciência nos maltratando noite e dia.
É um verdadeiro Big Brother (O programa de TV, que tem seu nome baseado no personagem do livro), só que pior, pois não é restrito à uma casa, é a sua vida: sua família, sua casa, seu trabalho, seu lazer, o que você come, o que você bebe, onde você vai e o porquê de ir até lá - simplesmente tudo. Será que as pessoas não conseguem perceber esse tipo de sistema
? Meus primeiros choques com a S.T.V foram justamente nesse quesito.
Estava eu todo feliz com meus amigos simplesmente comendo um hambúrguer numa lanchonete que havia iniciado atividades na minha cidade recentemente. Eu não deixei de ir à reunião de domingo, mas, como meus amigos insistem em me ter por perto, prometi que assim que saísse da reunião, iria até a tal lanchonete e passaríamos o fim de domingo juntos, lanchando. Ao chegar no local, poucos minutos depois, chega uma família de TJs da minha congregação. Nós nos cumprimentamos normalmente, e até então, não senti vergonha alguma de estar ali com meus amigos de infância. Imaginem o que eu senti, quando uma semana depois, o fato de eu estar “lanchando com mundanos” repercutiu no meu estudo pessoal!!! Meu instrutor veio me “aconselhar” sobre o tema: Más Companhias! -  Ali foi plantada a semente da liberdade (desobediência). Essa sensação de estar sendo constantemente vigiado não me agrada nem um pouco.
Observar esse método me fez lembrar do livro de Raymond Fraz, Crise de Consciencia, mostrando como as pessoas se deixam manipular. Lembro da quantidade de cartas que os irmãos, inocentes, enviavam a S.T.V. para contar detalhes até mesmo de suas relações íntimas de casais. Testemunhas de Jeová talvez não tenham medo de falarem com desassociados, talvez tenham sim, medo de serem vistas com desassociados, medo de serem vistas no cinema, ou em alguma festa. Lembrei de um evento que teve na minha cidade, um Encontro de MotoClubes, encontrei alguns jovens da congregação e ficou aquele mal estar: "O que será que ele(a) pensa de estar me vendo aqui?" - Eu pensei nisso na hora, e tenho certeza que eles também. Aí entra o empenho de recolocar a imagem no devido lugar com o pensamento: "O que será que vão pensar de mim, se eu não for ao campo amanhã cedo?" - Imaginem o esforço de todos para chegarem cedinho ao campo, para que os outros não pensassem algo tipo: "Fulano não veio ao campo porque ficou na festa ontem até tarde! Fulano não é espiritual (ou teocrático)!"
Mencionei o carnaval no início do post, pois tive que montar um intrincado esquema para poder curtir o carnaval sem ter problemas. Vou dizer: NÃO FOI FÁCIL – apesar de ter sido divertidíssimo! haha
Para curtir o carnaval, me utilizei dos meus amigos, que sabem da minha história, da minha situação e dificuldade dentro de uma seita nociva. Esquematizamos horários, lugares e vestimentas; modificamos hábitos diurnos e noturnos, locais de saída e locais para dormir. Tudo isso para que pudéssemos aproveitar o carnaval ao máximo, sem que eu tivesse algum problema. Isso não é vida, eu sei, mas é a escolha que eu fiz. Só não sei por quanto tempo ainda vou ficar vivendo dessa forma. Já consigo ver que isso não vai durar muito tempo; odeio o programa de televisão Big Brother Brasil; viver nele para o resto da minha vida é fora de cogitação.

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