terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Amizade







No mundo pode não existir nada pelo que valha a pena nos sacrificar, exceto pela amizade.”  Os Cavaleiros do Zodíaco  


 Estudo pessoal ontem com o meu amigo e instrutor. O assunto abordado? Limpeza física, espiritual e moral. É interessante como a S.T.V controla todos os aspectos da vida pessoal de seus adeptos. Muitas vezes isso é algo ruim, mas existe também o lado bom. Para os “porquinhos” inveterados, uma boa lição de higiene pessoal e limpeza do ambiente é algo que se faz necessário. 
A maldade está em utilizar o tema para lançar as sutilezas de ensinamento autoritário e fundamentalista. Digo isso porque nesse estudo, o livro “Mantenha-se no amor de Deus” enumera uma seqüência de princípios bíblicos que devem ser aplicados para que possamos nos manter no amor de Deus. Posso aqui citar o básico: “Amar a Deus sobre todas as coisas” – A aplicação é: Amamos a Deus, Deus ama limpeza, então para sermos amados por Deus e, pelo desejo de agradarmos a quem amamos, seremos limpos. – Chega a ser bonito analisar esses pontos de vista da Torre de Vigia, ou da bíblia se preferirem, pois vemos a criação de uma relação afetiva entre o estudante e Deus, sendo feita através de métodos de dedução: X=Y, Y≠Z, Logo...

Até aí nada demais. Eu já compreendo esse mecanismo e ele não em afeta mais. O problema estava na página 94, em um quadro chamado:  ESTOU ME ESFORÇANDO PARA FAZER O QUE É CERTO? – No meio da abordagem de diversos assuntos dentro do quadro, uma das perguntas é: Como as pessoas com quem me associo, os filmes que assisto e as músicas que ouço afetam minha determinação de evitar maus hábitos? – Incrível! No meio de um assunto sobre limpeza (pureza) a Torre lança um questionamento em que deixa claro, a sua atitude de chamar de “impuro” pessoas que não são Testemunhas de Jeová. Meu amigo, se você quer montar uma seita de dominação mental em escala global, tem muito o que aprender com a Torre de Vigia.

Eis que nesse momento do meu estudo, o meu instrutor não se contentou e resolveu se aprofundar no assunto; o problema é que ele foi super previsível. Eu estava há uns dois dias me preparando para isso; eu sabia que ele ia a fundo quando o livro fizesse essa pergunta.
Apesar de já esperar, eu fiquei um pouco surpreso e também um pouco triste. Mesmo assim me concentrei para entender que aquela pessoa ali não era o meu instrutor falando, mas sim, a programação que a Organização faz nos seus adeptos. É o efeito replicante, também conhecido como efeito vírus; e sabendo desse “defeito” eu não ia me chatear.
O legal é que eu pude desenvolver o assunto. Isso porque, acho que sem perceber ( e a maioria das Testemunhas de Jeová não percebe), ele estava me fazendo uma pergunta que já havia feito antes. Entre as TJs existe isso, elas abordam os temas de um ponto de vista unilateral, assim, se não existe uma outra forma de abordagem, elas vão ficar batendo na mesma tecla vencendo pelo cansaço.

Observem a diferença entre a primeira vez que a pergunta foi feita, em um estudo anterior específico sobre amizades, e essa segunda abordagem mais recente:

Meu instrutor: “(...) assim devemos buscar ser amigos somente de quem é amigo de Jeová (traduzindo: amigo de quem é TJ). Podemos pensar: Essa pessoa (aqui já se tratando de um “mundano”) tem algum dom espiritual para me acrescentar? – Me diz você; pense bem, seus amigos tem algum dom espiritual para te acrescentar?”

Eu (idiota): “É, realmente eles não tem dom espiritual nenhum para me acrescentar, e pior, acabam me influenciando a um comportamento que Jeová não aprova”

Segunda abordagem:

Meu instrutor: (...) “Visto que todos os problemas que aconteceram com você nos últimos meses, esse seu afastamento e tudo mais; foi justificado pelo fato de você não conseguir se afastar dos seus amigos, pare e pense: Seus amigos tem algum dom espiritual para te acrescentar? (A MESMA PERGUNTA!!!!) Assim, seja sincero, não leve em consideração o emocional (?????), existe algo de construtivo em ter amizade com essas pessoas?

Eu (já com a mente aberta): Essa é uma pergunta injusta. Não posso exigir de alguém que não tem conhecimento da verdade, que me conceda ou me acrescente algum dom espiritual. Isso é impossível e injusto com essas pessoas. Nesse caso eu não posso desconsiderar o emocional mas sim o espiritual, já que eu não posso ter esse tipo de relação com quem é “do mundo”. A diferença é que o meu relacionamento vai além disso. Eu cresci com essas pessoas; muitas vezes nem minha família pôde fazer por mim o que meus amigos fizeram. Momentos bons, momentos de crise, tanto de uns como de outros; estivemos juntos o tempo inteiro. Nossa formação foi feita por nós já que nossas família coincidentemente não eram estruturadas o suficiente para nos dar o suporte que realmente precisávamos.

Meu instrutor: Entendo, existe uma certa lealdade que vocês não conseguem quebrar.

Eu: Não existe amizade sem lealdade. Não é possível eu ser amigo de alguém sem ser leal a ele. Não fiz amigos por lealdade ao colégio, ou à faculdade, ou ao clube ou alguma banda de rock; a lealdade está vinculada a pessoa e não pode depender de fator externo.
(Nessa hora esperei a resposta sobre a amizade de Davi e Jonatã; onde certamente seria citado que a amizade dos dois estava vinculada a lealdade que cada um deles tinha com Jeová. A resposta não veio)


É triste ver que a S.T.V tem minado esse sentimento das pessoas. Ser amigo e ter amigos é gostoso pelo fato de amarmos uma pessoa pelo o que ela é; pelo bem que ela nos faz independente de filosofia ou religião. Um amigo TJ pode me ligar no meio da noite eu estarei lá por ele, assim como estarei por um amigo “mundano”(odeio esse termo).

Bem, por enquanto é isso! Quarta-feira tem reunião e eu vou ver um discurso de um garotinho muito especial que gosta muito de mim! Pelo visto só volto a postar semana que vem!

Mantenham-se vigilantes!

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