segunda-feira, 5 de março de 2012

Pelo direito de ser criança



Olá meus amigos! Fugindo um pouco da temática da lavagem cerebral, esse novo post visa analisar um pequeno grupo de pessoas afetadas por uma religião agressiva e nociva.

As crianças.



Eu não preciso me basear nos relatos e histórias de ex-TJs, que sofreram em sua infância dentro da Torre, para escrever esse texto. Apesar de ter lido e conversado bastante com pessoas que hoje estão libertas da lavagem cerebral, e que me contaram as mais estranhas histórias de quando eram crianças e sofreram por estarem sendo controladas pelo sistema da S.T.V., além de ter assistido o documentário “O Mundo Perfeito de Jeová"; 

minha análise pode ser feita simplesmente ao observar as crianças da minha congregação.
É triste ver uma organização religiosa minando do ser humano, a oportunidade de viver da melhor forma possível, a melhor fase da vida. Vejo as crianças agindo como pequenos robôs, seguindo um padrão não-natural, vestindo-se como adultos; é tudo muito estranho. Elas não assistem desenhos, pois 99% dos desenhos "são influenciados por Satanás", vide: Padrinhos Mágicos, Jake Long, Junniper Lee, O pica-pau, Alladin, desenhos japoneses de forma geral, etc. - As crianças são privadas também do companheirismo escolar, afinal, as outras crianças são como as cananéias com quem Diná foi se meter; e no livro (para crianças!!!!) que relata a história do estupro de Diná(!!!) “Meu Livro de Histórias Bíblias”, a pergunta (sugestão) é clara: “Não queremos nos misturar com esse tipo de gente, né?” – Competições nem pensar, esportes em geral: futebol, vôlei, handball, basquete etc. – só entre os irmãos, quando tiverem uma oportunidade de lazer, porque no colégio já vira competição, já se torna “fazer parte” do mundo. Posso passar o dia inteiro aqui listando uma série de eventos sociais benéficos ao ser humano, dos quais as crianças TJs são privadas. O incrível é que (aparentemente) elas não ficam resignadas ao serem privadas dessas coisas. Elas são levadas a acreditar que esse é o proceder correto. Qual será o resultado disso?


 


É difícil não culpar essa religião quando vemos pessoas com transtorno de personalidade. É impossível fechar os olhos e dizer que isso é culpa da imperfeição, que é ataque violento de Satanás, O Diabo.
As próprias Testemunhas de Jeová insistem em falar em seus estudos: “Todo ser humano tem o desejo de ser aceito” – É claro!!! Observo que quase todas as crianças e pré-adolescentes do Salão do Reino já sofreram algum tipo de bullying no colégio; quem não sofreu ainda, está para sofrer. Todas as crianças estão por fora da cultura mundial, elas não sabem o que é Harry Potter nem O Pequeno Príncipe, não conhecem O Senhor dos Anéis, não acompanham a Copa do Mundo, nem campeonatos de futebol regional ou nacional, nunca ouviram falar de Bon Jovi ou U2; são desligadas, completamente alienadas, são treinadas a rebater qualquer “implicância” com base nas publicações da Torre de Vigia, e treinadas, como robôs, a trazer outras crianças do colégio para dentro da Organização, acreditando estarem salvando essas crianças.

Observando dessa forma o desenvolvimento de jovens e adultos Testemunhas de Jeová, temos que agradecer aos céus quando não desenvolvem transtornos psicológicos, quando não se tornam psicopatas, depressivos, entre outros males.



Houve uma situação: Um amiguinho cismou de querer usar o meu smartphone, por causa dos jogos. Insistiu que eu colocasse um jogo para ele jogar, e eu totalmente por fora dos jogos do meu aparelho. Procurei e vi que tinha ali instalado um jogo do Batman! Pensei: “Esse jogo vai distraí-lo!”. Coloquei o jogo pra rodar, aprendi rapidinho os comandos básicos para ensiná-lo, e deixei o smartphone com ele. Assim que fiz isso, fui anotar as “saídas de campo” do fim de semana, e sabem que até chegar ao quadro de avisos a gente vai cumprimentando e conversando com 300 pessoas diferentes! Eu lembro bem que eu mal havia sacado a caneta e o caderno de anotações para anotar os horários, o menino chegou até mim com os olhos arregalados, me devolvendo o smartphone como se fosse uma bomba-relógio e dizendo, todo ofegante: Apareceu um homem com uma metralhadora!!!! Apareceu um homem com uma metralhadora!!!
Demorou pra cair a minha ficha! Peguei o aparelho das mãos dele e fui acalmando ele: Ta bom, fica calmo! Vou fechar o jogo! Acabou!
Juro que eu fiquei horrorizado. Meu primeiro vídeo-game, eu ganhei quando tinha 6 anos; um dos primeiros jogos que eu joguei chamava-se SWAT. Era o perfeito jogo de “polícia e ladrão”. Aquilo nunca foi um influencia para mim, nunca me tornei um psicopata “odiador-da-raça-humana”. Não estou desconsiderando o efeito que jogos violentos podem ter nas crianças!!! Jamais farei isso!!! O que eu estou levantando aqui foi o desespero de uma criança ao ver um personagem com uma arma num joguinho de celular; e olha que é desses jogos bem “mixurucas”!
Acho que é isso que a Torre quer das suas crianças: Formar Jovens e Adultos com dificuldade de discernir o que é e o que não é real! Eu uso a metáfora de Matrix para me expressar nesse blog, mas não consigo pensar em outra melhor! A S.T.V. trabalha para que seus adeptos não tenham condições de questionar. Dessa forma é importante que as crianças não “cresçam”; vivam no mundo “só de passagem”, afinal o Novo Mundo está as portas. É neotenia humana: Apesar de crescerem físicamente mantém um comportamento infantil totalmente dependente de “seus donos” (A Torre), assim como os cães!
Como deve ser triste a vida de um idoso que nasceu na Organização, se privou de tudo, pois o Armagedon estava próximo, e até então, não veio. Saber que deixou de simplesmente correr na rua com outras crianças, deixou de jogar os jogos que todos jogavam: pique-esconde, pique-tá, taco, queimado e também os jogos de video-game - deixou ir ao cinema ver os sucessos da literatura ganhando vida nas telas, deixou de se fantasiar de índio junto com as outras crianças na escola. Tudo isso me entristece muito, pois eu gosto muito das crianças. Fico imaginando se para elas existe alguma salvação desse domínio opressor. Lembro-me que quando eu era criança, meus pais sempre me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse; a minha resposta era sempre algo hilariante: “Quero ser lixeiro, por que deve ser divertido andar agarrado na traseira do caminhão”; “Quero ser bombeiro para poder salvar as pessoas”, “Trocador de ônibus, pois ganha muito dinheiro das passagens”, “Policial, para matar os bandidos” etc . Meus pais nunca me repreenderam, na realidade eles em sua sabedoria sabiam que isso ia mudar com o tempo, que aquilo era só idéia de criança, com propósitos às vezes nobres, às vezes ambiciosos. Fico pensando nas respostas mecanizadas das crianças TJ, é sempre a mesma coisa: “Quero ser pioneiro” “Ancião”, “Betelita”. São condicionadas assim, com a lei da repreensão e reforço positivo: “Parabéns meu filho! Que lindo! Um dia você vai ser Betelita”  - Se a criança fala: “Eu quero ser médico!” – Vem a repreensão: “Será que você está pensando em Jeová?! Para ser médico você tem que trabalhar e estudar muito! Será que Jeová vai gostar de você deixa-lo de lado para ser médico! E além do mais, no Novo Mundo a gente não vai precisar de médico! Ou você não acredita no Novo Mundo?!”
Ouvi de um amiginho no Salão do Reino: “Senti muito sua falta” – A criança de onze anos chorou ao me dizer essas palavras. Será que essa criança não pode ser amiga de quem ela quiser? Tem obrigatoriamente que adotar como amigos os que são da sua religião, mesmo que não tenham afinidade nenhuma?

Perdoem-me, todos vocês que tem a paciência de ler esse blog, por essa postagem ser muito passional! A verdade é que eu não me conformo com isso. Aqueles que ingressam na ilusão da Torre (quase) por vontade própria, que decidem fechar os olhos para realidade e viver no mundo da fantasia, tem o direito de faze-lo. Me irrita mais, ver as crianças perdendo tudo por terem nascido ali e não terem escolha. Que espécie de adultos serão?

Já ouvi: “Meu filho pode se tornar gari (não desmerecendo a profissão que é muito digna), eu não ligo, desde que seja uma boa Testemunha de Jeová!”

Ok meu amigo, mas e se ele decidir se tornar Engenheiro Mecatrônico?
Já sei, o condicionamento que a Watchtower dá aos seus adeptos não vai nem permitir que ele sequer sonhe que um dia terá um desejo assim! Vai desejar sim, trabalhar de graça para “Jeová”

Mais uma vez, perdoem o desabafo!


Vocês não estão sozinhos!

Um comentário:

  1. Crianças que perdem a infância e na adolescência desenvolvem síndromes e complexos.

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